Aparados da Serra e Urubici: saiba tudo sobre onde o Brasil é mais frio!

Natureza bruta e frio de “renguear cusco”! Águas límpidas que cruzam os campos e matas, para formar cachoeiras nas encostas íngremes dos peraus, como chamam a borda dos cânions.  Lá na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a história geológica do sul do Brasil surge imponente e repentina diante dos olhos dos viajantes.

De bicicleta, de bote, a cavalo, pendurado em cordas ou impulsionado pela força de suas próprias pernas, o viajante mergulha na vida plena e pura que pulsa nesta terra antiga.

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Serras e cânions

Um imenso planalto de repente despenca quase 1.000 m até a planície do litoral catarinense, moldando o cenário da estrada sinuosa conhecida pela sua beleza, a Serra do Rio do Rastro. Paredes verticais formam imensos abismos, e de tão perfeitas parecem que as rochas foram aparadas a fio de faca. Daí a origem do nome do parque nacional: Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul. Uma região repleta de fissuras na Terra: mais de 200 cânions, alguns com mais de 700 m de profundidade impressionam qualquer viajante e compõem uma paisagem impressionante.

A sinuosa estrada da Serra do Rio do Rastro é, por sí só, uma das atrações da Serra Catarinense.

A sinuosa estrada da Serra do Rio do Rastro é, por sí só, uma das atrações da Serra Catarinense.

 

Esta região, conhecida como Formação Geológica da Serra Geral, tem uma história de 100 milhões de anos. Quando o continente africano e a América do Sul se separaram, ocorreu entre os dois continentes imensos derrames de lava vulcânica, que moldaram a geografia local. A separação dos dois continentes foi um processo lento e que deixou marcas. Na divisa entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina estas marcas são, hoje, o motivo da nossa contemplação: a maior concentração de cânions do mundo.

Mas nem só nos cânions está a beleza desta região. A cultura tradicional da região também é outro fator que faz valer a visita.

 

Cultura gaúcha

Os campos de Araucárias já foram ocupados por diversos povos indígenas. Seus costumes, como tomar mate quente e fazer fogueiras em valas, para que o vento não as apague, são até hoje muito marcantes na cultura gaúcha.

Quando os Europeus começaram a chegar trouxeram os primeiros rebanhos para o sul do Brasil. Os tropeiros levavam os animais até o mercado de Sorocaba, em São Paulo, e todos estes caminhos da história do Sul do Brasil formaram uma das culturas mais tradicionais do país.

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Descendentes de alemães, italianos, portugueses, polacos e polacos, entre outras origens europeias, eles fundaram estâncias e se especializaram na vida no frio e no campo. Hoje recebem milhares de turistas por ano interessados não só em curtir a paisagem, mas também em desfrutar de uns dias da vida no campo, andar a cavalo, tomar leite da lava, e não da caixinha!

 

Para curtir o campo e o frio

O clima da região é subtropical, ou seja, frio! Com temperatura média anual de 18ºC, varia de verões quentes (com até 32ºC) e invernos muito frios, chegando a mínimas de -8ºC. Na região de Urubici é comum no inverno registrar as mais baixas temperaturas do Brasil e até mesmo nevar, sendo um convite para curtir as delícias da estação.

Divisa dos Munic+¡pos Cambar+í do Sul e S+úo Jos+® dos Ausentes

Entre os meses de maio e agosto a visibilidade é melhor e o céu está mais azul. No verão (entre dezembro e março) os banhos de rio são mais agradáveis, apesar de ser uma época de muita neblina. Evite o mês de setembro, quando chove muito e a visibilidade é baixa.

Na região encontramos três tipos diferentes de paisagens.

A Mata Atlântica, na encosta da serra e no interior dos cânions. É a paisagem que encontramos ao fazer a Trilha do Rio do Boi, no interior do Itaimbezinho. A Mata de Araucárias, que está presente nas regiões mais altas e frias. A pousada Parador Casa de Montanha, que tem uma proposta de turismo muito requintada, ocupa uma área cercada de muitas Araucárias, o que deixa a experiência ainda mais autêntica! Finalmente os campos, áreas imensas cobertas de gramíneas. É onde estão as criações de gado e muitas das estâncias.

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Ecoturismo

Na região de Aparados da Serra, além dos cânions, que ficam recobertos pela neblina entre os meses de agosto e outubro, outros atrativos, como as cachoeiras e rios também compõem os cenários. E são cenários especiais, perfeitos para caminhadas ou cavalgadas, recobertos por matas de araucárias habitadas por gralhas, araras, cutias, macacos e diversas outras espécies animais.

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Os rios e cachoeiras encontradas entre os cânions constituem um cenário perfeito para atividades como o rapel e o canyoning, executados com toda a segurança. E são nesses mesmos cenários que você irá fazer caminhadas espetaculares. Tenha a certeza de que esta viagem vai render ótimas lembranças e fotos espetaculares.

Em Santa Catarina, o Parque Nacional de São Joaquim possui vistas impressionantes, sendo a pedra Furada e o Morro da Igreja os principais cartões postais da região. Esta região é perfeita para amantes do cicloturismo. Alguns roteiros de bike pela Serra Catarinense rendem uma pedalada por cenários impressionantes.

Somado à paisagem natural, está a cultura típica local, a hospitalidade do povo serrano, as vinícolas e gastronomia típica e variada. As aconchegantes pousadas e um povo muito amável, dando suporte ao ecoturismo, que há alguns anos desponta como uma dos principais fontes de renda da região.

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Se quer saber ainda um pouco mais, leia sobre as principais atrações de Aparados da Serra

Parque Nacional de Aparados da Serra

O Cânion do Itaimbezinho é o mais famoso do parque e também um dos maiores do Brasil. Sua extensão chega a 5.800 metros e sua largura máxima alcança os 2000 metros. As paredes rochosas têm uma altura máxima de 720 metros e são cobertas por uma vegetação baixa e pinheiros nativos. Para quem nunca esteve à beira de um cânion, a sensação é realmente indescritível. São formações rochosas de pelo menos 130 milhões de anos, que parecem ter sido “aparadas” de maneira minuciosa.

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O cânion do Itaimbezinho pode ser conhecido por três trilhas diferentes: duas por cima, acompanhando a boca do cânion, e uma por baixo, pelo vale, conhecido como a Trilha do Rio do Boi.

Trilha do Vértice
Esta trilha, que tem um percurso de 1,5 km (ida e volta), circunda toda a boca do cânion. São, aproximadamente, duas horas de caminhada, mas o visual é gratificante durante todo o caminho.

Trilha do Cotovelo
Esse passeio, um pouco mais longo (6 km), passa pelo Arroio Perdizes, de onde pode-se observar a Cachoeira Véu da Noiva e todo o cânion do Itaimbezinho.

Trilha do Rio do Boi
Essa trilha é recomendada para os mais experientes. São sete horas de caminhada, partindo do vale do Itaimbezinho e tendo como objetivo alcançar a superfície. Em alguns trechos é preciso ter algum conhecimento de técnica de escalada, em outros, atravessa-se rios com água pela cintura. Uma verdadeira aventura.

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Parque Nacional Serra Geral

O P.N. da Serra Geral é uma área contínua ao P.N de Aparados da Serra. São mais de 60 cânions na região, sendo que os mais famosos são o Malacara e o Fortaleza.

Ainda que todos se pareçam entre si, parece que algo único faz com que tenhamos uma sensação de total surpresa e fascínio quando chegamos perto da borda de cada um. Mas, com certeza o que mais chama a atenção e surpreende pela sua magnitude é o cânion Fortaleza: com mais de 7 quilômetros de extensão. É uma enorme fenda na terra que parece não ter fim.

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Cânion Fortaleza

Trilha Cachoeira do Tigre Preto e Pedra do Segredo.

Caminhada fácil, começando junto à ponte de concreto sobre o arroio Segredo. Seguindo o arroio por, aproximadamente, 800 metros, você estará no alto da cachoeira do Tigre Preto. Neste ponto, atravesse o rio por cima das pedras (cuidado; algumas são bem lisas!) e pegue uma trilha no meio da mata. Cerca de 250 metros adiante, chega-se a um mirante, de onde se tem uma linda vista de frente da cascata, com uma queda de mais de 200 metros.

Continue a trilha pela borda do cânion por mais 30 minutos até a Pedra do Segredo. Um mistério da natureza fez com que este enorme bloco monolítico de 5 metros de altura, ficasse perfeitamente apoiado por sobre uma área de 50 centímetros quadrados, dando a impressão que poderá cair a qualquer instante.

Trilha do Mirante

A trilha começa no final da estrada que corta o parque. A subida de 30 minutos pelo morro até o ponto mais alto (1117 m) vale a pena, pois, lá de cima, tem-se a melhor vista do cânion. No meio da caminhada pode-se ver a Cachoeira Fortaleza.

Cambará do Sul e região

Cachoeira dos Venâncios
Saindo de Cambará do Sul, percorre-se 8 km até a entrada para Jaquirana. Dali, são mais 13 km até a Fazenda Cachoeira, (no lado direito da estrada), onde fica a Cascata dos Venâncios, (antes de chegar a Fazenda Cachoeira tem uma placa mostrando a esquerda… mas é de uma Pousada).
O local ainda é pouco frequentado, o que o torna ainda mais atraente. São 4 km de caminhada fácil até o rio Camisas, uma ótima opção para banho.

 

Lajeado da Margarida
Aqui o rio Camisas se expande sobre um grande lajeado, formando pequenas corredeiras e piscinas naturais.
Fica a 10 quilômetros de Cambará, com acesso pela Rua Boaventura Fernandes siga sempre reto em direção a Pousada Fazenda Recanto dos Amigos que fica 3,5 km de Cambará do Sul.