Tudo que você precisa para chegar até o acampamento base do Everest

Mesmo que você tenha conhecido o trekking agora, você com certeza já deve ter ouvido falar do Monte Everest. Com 8.848m, a maior montanha do mundo fica no Nepal, no coração da Cordilheira do Himalaia. E se você acha que esse é um sonho inalcançável, saiba que atualmente, cerca de 35.000 pessoas visitam o campo base do Everest todos os anos. Além de um bom condicionamento físico, hoje, o Blog Vida ao Ar Livre mostra tudo que você precisa para chegar até o acampamento base do Everest.

 

Para qual cidade devo pegar o avião?

Todos os aventureiros que desejam explorar a porção nepalense do Himalaia começam em Kathmandu, capital do país. E se você imagina uma cidade tranquila, tomada por monges, templos e uma paisagem bucólica ao fundo, você está apenas meio certo. Sim, os maiores templos hindu (Pashupatinath) e budista (Estupa Boudhanath) do Nepal estão aqui e, certamente, monges e montanhas completam o cenário.

Porém, Kathmandu (1.400m de altitude) também reflete um pouco da situação do país. Com um quarto da população vivendo abaixo da linha da pobreza, a cidade é bastante povoada. Para vias de comparação, você que acha os 12 milhões de habitantes de São Paulo um absurdo, saiba que o modesto um milhão de Kathmandu vive numa área 30 vezes menor (51km²) que a da cidade brasileira (1.521km²).

Ainda assim, os nepalenses se orgulham muito de sua cultura, que vai do antigo palácio e do artesanato do povo Newari, na cidade vizinha de Patan, aos templos já citados. Não deixe de reservar um tempinho para conhecer os encantos da capital, porque afinal, tal como os guias locais, muito do ganha-pão do país vem do turismo sustentável.

Depois de explorar Kathmandu, pegaremos um segundo voo, agora para Lukla (2.800m de altitude), cujo aeroporto é conhecido por ter a pista de pouso comercial mais curta do mundo. O que isso significa? Que o aeroporto foi construído de forma que uma das extremidades seja 60m mais alta que a outra, para que a inclinação ajude na desaceleração do avião.

Quem disse que ia ser moleza chegar ao acampamento base do Everest? A aventura já começa logo de cara.

 

Os primeiros passos até o acampamento base do Everest

Uma última curiosidade inspiradora é que o nome oficial do aeroporto de Lukla é Tenzing-Hillary. Isso se dá em homenagem aos primeiros exploradores, o sherpa Tenzing Norgay e o neozelandês Edmund Hillary, que chegaram ao topo do Everest em 1953.

Mas antes de deixarmos a área de desembarque, vale lembrar que com o roteiro da Pisa Trekking, sua aventura ganha a segurança de alguém como Manoel Morgado. Médico de formação, ele é guia de montanhas desde 1992 e traz no currículo a experiência de quem já conquistou os sete cumes mais altos do mundo.

Além de contar com uma equipe local que lhe presta serviços há mais de uma década, um grande diferencial do roteiro é fazer as paradas da trilha em pontos menos clássicos e, por isso, menos cheios e mais autênticos.

E falando em autenticidade, os sherpas e carregadores de nossa jornada sempre contam um pouco o cotidiano das vilas, chamam a atenção para estupas e outras construções religiosas do caminho e mostram plantas e animais típicos da região. Falando em bichos, quem dará as caras são os iaques, uma espécie de búfalo das montanhas usado bastante para carregar peso trilha acima.

 

As vilas no caminho do acampamento base do Everest

São muitas as vilas pelo caminho. Isso sem contar alguns dias reservados inteiros para aclimatação, afinal, estamos falando de altitudes maiores que 4.000m, e nos últimos dias, 5.000m. É preciso um descanso! E a partir de agora, todas as vilas que citarmos aparecerá com a altitude entre parênteses.

Bom, como você deve imaginar, cada uma delas tem o seu respectivo encanto. Algumas como Namche Bazaar (3.400m), Dimboche (4.300m) e Lobuche (4.900m) não têm como fugir. Elas são paradas clássicas por motivos justos. Namche Bazaar, por exemplo, é o maior vilarejo da região nordeste do Nepal. Até hoje o mercado que acontece aos sábados atrai comerciantes das vilas da região.

Namche Bazaar

Já Dimboche e Lobuche, que são praticamente um assentamento de tão pequeno, guardam algumas das melhores vistas da Cordilheira do Himalaia. E em Lobuche, especificamente, o Memorial aos Sherpas nos lembra de todos sherpas que morreram escalando o Everest, um monumento importante para que respeitemos ainda mais a montanha.

Até o acampamento base do Everest, serão 10 vilas: Monjo, Namche Bazaar, Thamo, Kunde, Deboche, Pamboche, Dimboche, Dugla, Lobuche e Gorak Shep. Várias dessas vilas estão fora da rota de trekking, o que dá brecha para momentos como o do contato com Ani Lama, monge residente em um mesmo monastério em Thamo (3.400m) há mais de 20 anos. Ou quem sabe aproveitar a visita a Pamboche (4.000m) para se aclimatar no campo base do Ama Dablan (4.700m), montanha bem próxima, mas que poucos costumam passar quando sobem o Everest.

Outro destaque é o Monastério de Temboche, no trecho de Kunde (3.800m) a Deboche (3.700m), que já foi restaurado em duas ocasiões, mas ainda guarda uma aura única, muito por conta do cenário místico de Ama Dablan aos fundos. Também vale perceber a mudança de vegetação ao longo da subida.

Deboche

Nessa altitude, ainda é possível avistar rododendros, bétulas e coníferas. Em Namche Bazaar, no começo, o cenário é de pinheiros gigantes e casinhas amontoadas. Mas conforme batemos a faixa dos 5.000m, em Lobuche, a vegetação já se torna alpina, com blocos de gelo conforme nos aproximamos do campo base.

 

O acampamento base do Everest

Para chegar ao acampamento base do Everest, o último passo é Gorak Shep (5.190m), um assentamento usado como base para as duas últimas ascensões. A primeira, no mesmo dia em que deixamos Lobuche, para contemplar um dos melhores pôr-do-sol da sua vida. Da montanha Kala Patar, é possível até ver o sol refletido nos paredões do Everest. E o segundo dia para de fato conquistar o protagonista dessa aventura.

E aqui vale mais uma vez o aviso: depois de 11 dias, 94km de trekking, mais 7.365m de subida acumulada, outros 5.005m de descida acumulada e tudo isso em altitudes maiores que 5.000m, o corpo pode dar sinais de esgotamento. Isso pode significar que, para alguns, a ascensão final pode ser abortada, se a saúde falar mais alto. Em casos mais extremos, não só isso, como você pode voltar com sinais de edema pulmonar ou cerebral. Por isso, é de extrema importância que você comece a se preparar fisicamente, pelo menos, três meses antes da jornada.

Dito isso, podemos seguir para o momento mais esperado: o acampamento base do Everest. De Gorak Shep, o caminho a partir daí será apenas de gelo. Com uma elevação mais suave que a dos últimos dias, os 3,5km podem parecer longos. É óbvio, o grande encontro levou tempo, mas o cenário rústico da morena do glaciar mais alto do mundo (Khumbu) talvez acalme sua ansiedade. Mais alguns passos e, pronto, você estará de frente, para uma pedra repleta de bandeirolas coloridas e a mais aguardada placa de toda a subida: “acampamento base do Everest”.

Caso você faça sua viagem nos meses de abril e maio, além das montanhas nevadas, você encontrará centenas de outros aventureiros acampados nas barraquinhas das mais diversas cores. Todos eles estarão se aclimatando para, aí sim, alcançar o topo do mundo, o cume do Everest.

Agora, se você escolher a segunda saída, no final do ano, você pode ter um encontro um pouco mais íntimo com o colosso. Mas também não se acanhe de conversar com outros montanhistas. Pode ter certeza que quem vive esse estilo de vida carrega histórias de tirar o fôlego.

 

Quando ir para o acampamento base do Everest?

Existem duas boas épocas para fazer o trekking. A primeira é nos meses de primavera que, como dissemos, especialmente nos meses de abril e maio, são tomadas por alpinistas em busca do cume. Além disso, esses dois meses serão os mais quentes, quando as temperaturas médias chegam a 10 e 15ºC de manhã e -5 e 0ºC de noite, respectivamente. O que também pode significar que alguns dias terão chuvas e, consequentemente, nuvens. Por outro lado, a cereja do bolo é que os rododendros abrindo enfeitarão sua trilha.

A segunda boa época do ano é no final de setembro e nos meses de outubro e novembro, quando as chances de chuva são baixíssimas e, por isso, as nuvens não impedirão as vistas. Além disso, o clima fica mais estável, nem tão quente em baixa altitude, nem tão frio em alta – as temperaturas médias ficam em torno de 12ºC durante o dia e -6ºC à noite.

É claro que essas são as características esperadas, mas não dá para garantir que no dia que você estiver subindo, a montanha se comportará assim, até porque estamos falando de um dos cantos mais extremos do planeta. Fato é que a probabilidade do tempo estar melhor é muito maior do que nos meses de inverno, quando o frio é muito mais intenso ou, pior, nos meses de verão, quando o clima de monções traz chuvas mais frequentes.

 

O que levar para o trekking do acampamento base do Everest?

O nome “grande expedição” dá medo e muita gente acha que tem que levar o guarda-roupas inteiro. Mas a verdade é que o essencial basta, afinal, em grandes altitudes, busque sempre ficar leve, toda economia de oxigênio é bem-vinda.

Felizmente, viajando com a Pisa Trekking, você conta carregadores que podem levar até 15kg por pessoa. E como cada um sente um frio diferente, em condições extremas da natureza, opte por estar confortável com a sua temperatura. Lembre-se das três camadas, então: dry-fit, fleece e anorak.

Fora isso, uma jaqueta para chuva, principalmente para altitudes mais baixas; uma headband para cobrir o rosto do vento; óculos de sol para você não ficar cego com o sol refletido no gelo; bastões de caminhada para reduzir o impacto de dias de trilha; botas para trekking, para seu pé não pedir arrego por estar mal acomodado; luvas Gore-Tex que impedem que o frio entre; e meias Coolmax garantem que o tecido seque mais rápido, caso entre água na sua bota.

Aliás, uma boa dica é que alguns equipamentos você poderá comprar em Kathmandu, muitas vezes com preços até mais baratos, afinal, estamos numa das capitais do trekking no mundo. E não se preocupe, o Manoel Morgado dará todas as dicas que você precisa para não entrar em furadas. Isso, é claro, desde antes da viagem, para saber o que levar e o que esperar para adquirir do outro lado do mundo.

Se você for fanático por fotos, lembre-se de trazer baterias extras ou carregadores portáteis, já que digamos que a tomada vai se tornando mais rara conforme subimos, além de em muitos casos ser cobrada pelo uso. E ah, não falamos da comida, mas pode ficar tranquilo que isso fica por conta dos nossos sherpas.

De qualquer forma, conte com toda a expertise do Manoel Morgado e da equipe da Pisa Trekking, que manterá contato contigo antes mesmo da viagem começar. Nós podemos te orientar caso você tenha alguma necessidade específica. Até porque depois de subir tudo isso, será preciso descer para onde tudo começou, né?! Quer dizer, a volta é mais curta, mas ainda assim serão com 50,5km de trekking, uma descida acumulada de 3.570m e outros 1.250m de subida acumulada.

 

Uma segunda opção de trekking até o acampamento base do Everest

Agora que você chegou até aqui, vale lembrar uma última vez que esse texto foi baseado no roteiro guiado pelo Manoel Morgado, que você pode encontrar mais detalhes aqui. Ele costuma acontecer duas vezes por ano (uma em cada boa época para o trekking), mas caso sua disponibilidade seja mais restritiva, seu orçamento menor e você não tenha problema com o inglês, há também uma segunda opção, na qual você viaja sem formar um grupo e de forma privativa. Ou seja, você tem toda a comodidade para escolher a melhor data para sua viagem!

Ao invés dos 15 dias de subida e descida do roteiro do Morgado, neste serão 10 e, apesar do trekking passar pelos destinos clássicos, o "clássico" está aí por um motivo: a mística de cada trechinho também está mais do que garantida. Aqui, o primeiro vilarejo diferente é Phakding (2.610m), três horas antes de Monjo (primeira parada no roteiro de Morgado), o que significa que você poderá contemplar a agitação das comunidades mais povoadas da base da montanha com mais calma. E o segundo vilarejo é um dos maiores da região: Khumjung (3.790m) já na descida, onde você poderá conhecer o hospital e a escola local.

Aqui, quem te fará companhia é um guia local, também muito experiente e falando em inglês, que trará vivências, histórias e informações direto da fonte, afinal, ninguém melhor para essa aventura do que alguém que viveu e cresceu ao lado desse colosso. Ah, e os carregadores também estão garantidos (15kg por pessoa)! E pode ficar tranquilo também que, como no roteiro com o Morgado, você conta com todo suporte 24h do Brasil e com pessoas locais para resolver qualquer urgência que possa surgir.

Conheça aqui este segundo roteiro.

 

Seja como for, todos que sobem até o acampamento base do Everest têm suas vidas alteradas física e espiritualmente. Cada rododendro que encontrar pelo caminho valerá todo esforço e perna gasta. Se ainda tiver ficado alguma dúvida ou você se sentir inseguro, converse com nossos atendentes e saiba que não há limite de idade para realizar esse sonho. A Pisa Trekking é especialista em viagens de aventura e oferece todo conforto e segurança que você precisa para superar seus desafios. Uma boa viagem e nos vemos na trilha!

 

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