Entrevista: Grandes desafios com Manoel Morgado

Não é todo dia que se chega ao cume do Everest. Também não é todo dia que se conversa com alguém que já chegou ao cume do Everest. Mas Manoel Morgado, médico de formação que dedicou os últimos 30 anos de sua vida às altas montanhas e a guiar pessoas nesses ambientes, não é definido por um único cume. Com seu histórico de montanhas conquistadas, ele tem muitas histórias e aprendizados para compartilhar. Hoje, o Blog Vida ao Ar Livre traz uma entrevista exclusiva com Manoel Morgado.

Manoel Morgado tem 62 anos, e já conquistou a mais alta montanha de cada um dos sete continentes (Seven Summit). Além do montanhismo, também já se aventurou por esportes como kayaking, rafting, escalada em rocha e em gelo. Em sua convivência com a cultura asiática, tornou-se adepto da filosofia budista. 

Para quem já passou a maior parte da vida viajando, talvez seja difícil de lembrar como foi o começo de tudo. Manoel, houve algum momento decisivo em que você notou que era isso que você queria fazer pelo resto da sua vida?

Eu comecei a viajar muito cedo. Com 14 anos, eu já estava “caroneando” aqui no Brasil com um primo mais velho. Aos 17, eu fui pra Bolívia e pro Peru pelo Trem da Morte. Aliás, naquela época, era o Trem da Morte mesmo. E eu comecei a entrar em contato com esses jovens que estavam há 1 ano viajando, e sempre tive o desejo de fazer uma viagem longa. Mas a coisa não aconteceu, e só foi acontecer depois que eu acabei a residência médica. Então eu fiz 6 anos de medicina, 2 anos de pediatria, e depois, como eu ainda não tinha raízes, resolvi fazer a viagem longa. Então fiquei 1 ano na Europa e 1 ano na Ásia

Achei que era isso. Estava feliz, voltei, abri consultório, comecei a trabalhar como médico, e no decorrer dos próximos 5 anos fui notando que esse não era o estilo de vida que eu queria. Acho que o momento decisivo da virada foi perceber que aquilo não estava me deixando feliz. Eu queria ir atrás de uma fórmula que me permitisse viver do jeito que eu queria, com muito mais natureza, com muito mais viagem. 

Eu era casado na época, e em 1988 acabei me separando. No momento que eu me separei, marquei 1 ano a partir daquele dia e pensei, “Daqui a 1 ano, vou embora”. Aí eu trabalhei, juntei grana, e fui. Voltei para o Nepal, que era o lugar que tinha me marcado mais, e acabei fazendo Ásia inteira, Europa, e depois Austrália. Enfim, fiquei nessa história uns 3 anos. E no final, acho que caiu a ficha de que eu tinha experiência dessas tantas viagens para começar a dividir com outros. Voltei para o Brasil, abri a minha primeira empresa, em 1992, e de lá para cá é o que eu tenho feito. 

Nunca mais tive casa: há 30 anos estou viajando sem parar, e isso funciona muito bem pra mim. Tenho uma dificuldade bem grande de ficar num lugar só. Mas eu falo isso sem modéstia: precisa coragem. A gente passa tanto tempo tendo um estilo de vida que a gente não curte, e às vezes a gente tem que dar o salto. Precisa de uma energia inicial para isso, mas uma vez que você dá o salto e começa a fazer uma coisa que você gosta, é quase certeza que a coisa vai dar certo. Eu não teria sido um bom médico porque eu não teria sido uma pessoa feliz. 

Foi difícil tomar essa decisão entre seguir com a medicina ou ficar com o montanhismo?

Foi e não foi. Foi no sentido de que, como eu tinha feito aquela viagem, eu voltei e comecei absolutamente do zero. Muito plantão, o consultório não tinha paciente nenhum… Mas depois de 5 anos eu comecei a ter uma estabilidade, tanto financeira quanto profissional. Então [abandonar isso] foi a coisa mais complicada. 

Fora a coisa de todo mundo chamar de louco. Você sair do padrão é complicado, porque quando você tenta tomar uma decisão dessas, é gostoso se alguém te apoia. E ninguém me apoiava. A família pirou, os amigos achavam que eu era louco... E de certa maneira, eu acho que as pessoas te criticam porque elas sentem dentro delas algo como, “Se eu não falar que ele tá fazendo errado, eu vou entrar em crise.” 

Então nesse sentido foi difícil, mas o que me puxava do outro lado era uma coisa tão forte. A experiência que eu tive na viagem tinha sido tão rica, tão importante. Eu acho que foi só o período de sair que foi um pouquinho mais complicado, mas depois eu comecei a viajar e acabou. O drama nunca mais existiu, eu nunca mais me arrependi de ter tomado essa decisão.

Hoje em dia, como você consegue conciliar a sua formação como médico com o seu atual estilo de vida, e como um complementa o outro?

Desde que eu era muito, muito pequeno, eu sabia que eu ia ser médico. Então quando eu fui fazer vestibular, eu não tinha a menor dúvida de que seria medicina. O curso foi ótimo. Então, apesar dos 8 anos que eu “gastei” com isso, eu nunca achei que foi em vão. Para mim, uma coisa que me dá muita segurança é essa minha formação. 

E eu acho que pros clientes que estão em áreas remotas, isso também é bem legal. Os nossos outros guias têm informação de First Aid Responder, que são esses cursos de medicina em lugares remotos, mas a minha formação ajuda bastante. Foram muitas as situações em que eu pude ajudar as pessoas locais, ou trekkers de outros grupos. Foi um tempo muito bem gasto.

Desde quando você escala? 

Quando eu saí do Brasil aos 33 anos, fiz um curso de escalada no Nepal. Só que era um curso para sherpas, de 40 dias, com 30 sherpas e eu. Foi talvez a coisa mais dura que eu já fiz na vida, porque eu era o café-com-leite, né? Os caras são super-homens, adaptados em altitude. O nosso campo-escola era a 3.300m, e um dia normal era subir até 5.500. E os caras subiam cantando, jogando bola, fazendo piada… E eu lá atrás, bufando, com dor de cabeça. 

Foi muito legal, mas foi muito sofrido. E a partir de então, desde os 33 anos, eu venho escalando. Gradualmente eu fui me sentindo mais apto a fazer coisas mais difíceis, até que chegou um momento em que Everest era uma possibilidade real para mim. Houve um pouquinho mais de drama, porque o Everest é muito caro, mas sempre fiz planejamentos muito cuidadosos em relação às minhas escaladas. E acho que eu também soube desistir, o que é um aprendizado duro mas muito importante.

Você pode falar um pouco mais sobre a importância de aprender a desistir?

Ontem alguém me disse, “Um amigo meu me convidou pra ir pro Aconcágua esse ano.” Eu falei, “Tá, e o que você já fez de montanha?” Ele disse, “Ah, eu fiz Petrópolis x Teresópolis…” E eu, “Para, para, para. Deixa eu te contar um pouquinho o que é o Aconcágua. A montanha tem quase 7 mil metros, com um dos piores climas do planeta. Tecnicamente é só uma caminhada, por isso que você acha que vai dar conta. Mas você não tem vivência de montanha. Você não sabe lidar com perrengue, e você não tem marcador de gasolina.” A gente não tem. Seria ótimo se a gente tivesse: “Tem 30%, dá pra descer”. Mas a gente não tem.

O principal aprendizado de você fazer montanha, montanha, montanha, é você conhecer o teu corpo. Saber até quando você pode ir, e quando você tem que voltar. Só que as pessoas não têm essa vivência, então elas vão, e esquecem que tem toda a volta. E morrem. Acho que é essa uma das principais causas de morte em uma montanha. 

Em 2012, eu tentei fazer a oitava montanha mais alta do mundo, o Manaslu, sem sherpa e sem oxigênio. Depois de 1 mês e meio de expedição, eu cheguei a 500 metros do cume, parei e voltei. E a maneira que eu voltei para o campo-base - quase morrendo, tive que ser resgatado por helicóptero - me mostrou que se eu tivesse ido pro cume, teria feito o cume mas teria morrido. Só que desistir é complicado, né? Principalmente essas montanhas que você investe um tempo, uma energia, uma grana, um sonho muito grande. A tendência é forçar a barra, mas aí as coisas não funcionam. Por isso, desistir é muito importante. 

E acho que isso se aplica não só a montanha. Desistir de um cume, desistir de um caminho da vida, é o mesmo desistir.

Você já fez o Campo Base do Everest mais de 60 vezes. Lembra da primeira vez que foi ao Nepal?

Lembro. Foi nessa primeira viagem longa, em 1984. Era um outro planeta. E era muito, muito diferente do que é hoje em dia. Basicamente não existia viagem comercial, não existiam grupos. A infraestrutura era mínima. E eu era muito duro, então o equipamento que eu tinha era ridículo.

Eu fiz o trekking ao redor do Annapurna, e na última noite antes do Thorong La Pass, a 4.300m, fiquei num lodge que era só paredes de pedra com um plástico em cima. Quando começava a nevar, a neve entrava dentro do lodge e eu ia me cobrir com o colchão da cama. Nesse dia, eu cozinhei algumas batatas pro dia seguinte, e quando parei para comer as batatas, elas estavam congeladas. Fiz o passo inteiro sem comida, porque as batatas tinham virado rocha. Então toda a experiência foi muito marcante, muito nova, e foi quando eu realmente me apaixonei pelo Nepal. 

Mas isso é interessante porque, de certa maneira, sinto um pouco de pena de que eu não tenha mais a emoção que eu tinha naquelas viagens. Lembro de cada dia da minha viagem para a Bolívia aos 17 anos: lembro da minha alegria, do meu desbunde com qualquer coisa. Sinto uma certa nostalgia disso. Hoje em dia, me pego chegando num aeroporto de um país novo, pegando um táxi, pegando o Kindle, e ficando lendo enquanto eu vou pro hotel, numa cidade que eu não conheço. Eu acho que quando você é exposto muitas vezes a esse tipo de coisa, ela acaba perdendo um pouco do impacto.

No dia a dia da sua profissão, você deve enfrentar muitas situações de adrenalina. De que maneira o Budismo ajuda você a se manter calmo e centrado?

O Budismo pode ser visto de duas formas: como uma religião, ou como uma filosofia. Eu não sou uma pessoa religiosa e não entro muito na parte de ritual. Mas como filosofia, ele te dá ferramentas muito úteis para lidar com emoções. Acho que essa é a pegada mais interessante do budismo, que acaba funcionando como uma psicologia. Como lidar com frustração, com impermanência, com raiva, com emoções. Obviamente que isso é um caminho imenso. 

A minha mestra, que é uma californiana com quem já fiz alguns retiros, ficou 6 anos, 6 meses e 6 dias em meditação solitária no Deserto do Arizona. Eu olho pra essa mulher, e vejo que ela sim, sabe lidar com emoções de uma maneira fantástica. Ela tem a mesma idade que eu, e uma memória… Ela lembra de uma coisa que eu disse há 10 anos atrás. Eu não consigo lembrar de metade das coisas que eu digo hoje. 

Mas o pouquinho que eu aprendi, acho que me ajuda muito. Ajuda a parar, respirar, fazer meditação todo dia, ficar mais presente no momento, se preocupar um pouco menos com o futuro, se ligar um pouco mais com impermanência... É um super instrumento que eu recomendo pra todo mundo. E pode não ter nada a ver com religião.

Você já conquistou os principais cumes do mundo. O que te motiva a sempre se superar? Você encara isso como um desafio pessoal? Como uma competição saudável com outros montanhistas? 

Tem duas motivações e uma razão. Uma motivação: é extremamente bonito. Hoje, com o barco que eu tenho, eu vejo muito isso. Eu tô velejando por lugares fantásticos: Caribe, Mediterrâneo. Mas não tem uma praia que eu chego que eu não fico, “UAU!”. E montanha me dá isso. Eu paro na frente de uma, mesmo que eu veja ela duas vezes por ano, ela ainda me desbunda. Eu fico emocionado. É muito forte. 

E superação, desafio pessoal também é algo muito forte. A história de eu ter tentado uma montanha de 8 mil sem oxigênio e sem sherpa foi isso. Eu já tinha subido o Everest, já tinha subido o Cho Oyu, com oxigênio e com sherpa, mas eu queria ver se eu dava conta. Cheguei à conclusão de que não dou, mas eu queria saber qual era o meu limite. 

Outra coisa muito importante é que montanhista tem memória curta. A gente volta. A gente esquece os perrengues e só lembra das coisas bacanas. É fundamental montanhista não lembrar dos perrengues, porque é muito perrengue. 

Mas acho que é isso, a beleza do lugar, o tipo de experiência que ela te dá, e superação pessoal. Eu nunca me vi competindo com outras pessoas. Até porque os outros fazem coisas tão, tão mais impressionantes que você. Eu acabei o Everest, e fiquei um mês de molho. Perdi 15kg. E tem um cara aí escalando uma montanha de 8 mil a cada três dias. Então não adianta, nem que eu quisesse competir, não dá. 

Para quem está começando no turismo de aventura, qual a importância de viajar através de uma operadora de viagens como a Pisa?

Eu realmente não concordo com os tais puristas. É impressionante como você lê isso: que só é válido escalar se você escalar sem uma agência. Que só deveria estar na montanha quem sabe o que está fazendo. Eu acho isso uma enorme bobagem, porque mesmo essas pessoas um dia tiveram que aprender. E se elas foram aprender sozinhas, e fizeram coisas sozinhas sem competência, elas fizeram coisa errada. 

Não é para você estar sozinho em qualquer atividade se você não sabe o que está fazendo. E só tem um jeito de aprender, que é estando com uma outra pessoa. Se você tem competência para escalar uma montanha sozinho, sem carregador, sem oxigênio, fantástico. Se você não tem essa experiência, eu acho que é absolutamente válido você fazer com quem é competente. Aos pouquinhos você vai aprendendo, e chega um ponto em que você não tá mais sendo guiado. Tem alguns clientes meus que acompanhei essa evolução. 

E a montanha é um lugar em que a gente não deveria estar, né? Não existe nenhum vilarejo acima de 5 mil metros permanente no mundo. Então se você não sabe o que você está fazendo, a chance de dar errado é grande. Por isso é importante fazer até aprender.

Viajar sozinho e viajar guiando um grupo de pessoas devem ser experiências bastante diferentes. Os desafios também mudam de uma situação para outra?

Mudam completamente. Uma das funções do guia é administrar pessoas. Você tem que administrar personalidades diferentes, ajudar a criar uma liga entre as pessoas. Você é responsável por elas. E você tem que saber fazer uma coisa que é muito difícil, que é dizer quando a pessoa não pode seguir. Às vezes tem um ponto em que você acha que a pessoa está se arriscando, que ela não devia prosseguir, e dizer não é bem complicado. Você está lidando com o sonho dela.

Viajar sozinho é muito mais tranquilo. Você ter que cuidar de você, ou da pessoa que está contigo, é uma coisa muito mais solta. Guiar um grupo exige muito mais. As pessoas comentam da minha vida: “Ah, você não trabalha, né? Você está sempre de folga.” Não, decididamente não. É um trabalho. Um trabalho que eu amo, um trabalho extremamente prazeroso, mas é um trabalho. Você está na função das pessoas, não da sua história. Então é diferente sim.

Hoje, muitos de nós ficamos restritos a nossas vidas na cidade grande, em meio ao concreto e à poluição. Para você, qual a importância de se manter em contato com a natureza? 

Eu acho que isso é subjetivo, na medida em que isso tem importâncias diferentes para pessoas diferentes. Eu tenho amigos que são super urbanos, e se eles tiverem que escolher entre a Mostra de Cinema ou ir para o mato, é Mostra sem a menor dúvida. Mas talvez se eles experimentassem estar no mato um pouquinho, iriam perceber o quanto isso recarrega. 

Isso é a experiência que a gente ouve de todo mundo que viaja com a gente. Você está caminhando numa montanha, está fazendo uma viagem interna. No ritmo de cidade, é fazer coisa, fazer coisa, fazer coisa, não tem essa chance. Talvez o fato de ter um tempo com menos estímulo, num ambiente mais calmo, mais silencioso, faz você sacar mais coisas de você mesmo. Isso é algo que eu ouço bastante, das pessoas voltarem dessas viagens longas de trekking e reavaliarem a vida. 

O que você diria para as pessoas que gostariam de fazer uma expedição de alta montanha, mas não se sentem capazes?

Gradual. Nós recebemos bastante gente que nunca fez trekking e faz o Campo Base, que é um dos trekkings mais altos, mais frios, mais longos do planeta. Ou que vão de cara para o Kilimanjaro. E funciona. Elas vão, ficam felizes e tal. Mas eu não acho que é a maneira mais adequada. Eu acho que, como tudo, deveria fazer uma coisa de cada vez. Fazer no fim de semana algo mais próximo, mais confortável, sentir como é...

Até porque, se você for direto pro Campo Base do Everest que, na minha opinião, é um dos trekkings mais lindos do planeta, depois vai ser complicado fazer uma coisa que seja tão bonita. Então vai fazendo coisinha mais bacana, mais impressionante, mais alta, mais grandiosa aos poucos.

A primeira vez que eu mergulhei na vida foi na Great Barrier Reef, na Austrália. Fiz um liveaboard, ou seja, peguei um navio e fiquei 5 dias mergulhando 4 vezes por dia num dos lugares mais absurdos. Sério, eu fico até envergonhado de dizer. Depois eu fui pra Fernando de Noronha, e foi... Bacana. Sempre que eu ouço falar de Fernando de Noronha, todo mundo fica tipo, “É um espetáculo! Ahhhh!” E eu, “É legalzinho.” 

Então, se você vai gradualmente, tudo fica gostoso. Agora sério: eu acho que você deve ir aos pouquinhos. E não deixar de ir, não ter medo. Se você faz uma coisa menor, mais simples, é mais fácil de vencer o medo inicial de fazer uma coisa nova.

Manoel trabalha em parceria com a Pisa Trekking há mais de 15 anos, sendo guia de expedições como o Trekking ao Campo Base do Everest e o Trekking ao Topo do Kilimanjaro. Para a Pisa, será um prazer fazer parte da história de montanha de cada um de nossos clientes, sempre proporcionando uma aventura segura, confortável e saudável.

Ficou com vontade de fazer uma grande expedição por uma das principais montanhas do mundo? Então conte com os serviços da Pisa Trekking. Especialistas em ecoturismo, oferecemos várias opções de pacotes de Grandes Expedições. Confira todos eles aqui, tire todas as suas dúvidas com nossos atendentes e boa viagem! 

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