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Turismo responsável na Amazônia: Pousada Uakari na Reserva Mamirauá

Visitar a Amazônia é o sonho de muita gente, mas encontrar uma experiência que seja genuinamente autêntica e focada na preservação da floresta pode ser um desafio. É aí que entra a Pousada Uakari. Localizada na Reserva Mamirauá, ela é um dos maiores e mais premiados exemplos de turismo responsável na Amazônia e no Brasil. 

A seguir, o Blog Vida ao Ar Livre explica por que se hospedar na Pousada Uakari

O que é a Pousada Uakari?

Situada a cerca de 600 km de Manaus, a Pousada Uakari fica no coração da Reserva Mamirauá, a primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Brasil. O local é uma das áreas mais bem protegidas da Amazônia e abriga espécies raras, como o macaco uacari-branco.

A pousada é administrada conjuntamente pelo Instituto Mamirauá e pelas comunidades ribeirinhas. Seus principais objetivos são gerar renda para as comunidades locais e criar incentivos para que os moradores promovam a conservação dos recursos naturais da área.

Totalmente flutuante, a pousada foi projetada para se integrar à dinâmica da floresta alagada com o menor impacto possível sobre o ambiente. São apenas cinco bangalôs rústicos e muito confortáveis, garantindo uma experiência intimista em meio à natureza, com pensão completa e passeios guiados pela reserva.

  • Como chegar na Pousada Uakari?

A viagem começa com um voo até Tefé, no Amazonas. Após a recepção no aeroporto, seguimos até o porto do Lago Tefé, de onde parte a lancha rumo à reserva.

O trajeto de aproximadamente 1h30 já faz parte da experiência: logo no início, é possível observar o encontro das águas escuras do lago com as águas barrentas do rio Solimões. Depois, basta seguir pela floresta alagada até chegar à Pousada Uakari.

Foto: Pousada Uakari

Como a Pousada Uakari promove o turismo responsável?

A sustentabilidade na Pousada Uakari é a base de toda a operação, focando em baixo impacto ambiental e alto retorno social. As principais práticas incluem:

  • Gestão e equipe local: A administração é compartilhada com as comunidades ribeirinhas. Toda a equipe, incluindo guias, cozinheiros e piloteiros, é formada por moradores locais, garantindo que a renda fortaleça a economia da reserva.
  • Limite de visitantes: A capacidade é restrita a apenas 20 hóspedes por vez, o que evita a degradação do ambiente e protege o comportamento natural da fauna silvestre.
  • Energia limpa: Toda a energia elétrica e o aquecimento da água dos quartos são gerados por um sistema de painéis solares.
  • Gestão de resíduos: A pousada possui filtros biológicos rigorosos para o tratamento do esgoto, garantindo que nenhum efluente polua as águas da reserva.
  • Consumo sustentável: Os ingredientes do cardápio, como peixes e frutas, são comprados dos produtores locais, respeitando as leis de manejo sustentável e os períodos de defeso da Amazônia.

Foto: Pousada Uakari

Passeios e experiências: o que fazer na Reserva Mamirauá?

A pousada oferece diferentes experiências pela floresta, permitindo que os visitantes conheçam de perto a biodiversidade e a riqueza da Reserva Mamirauá:

Caminhadas na floresta de várzea 

De outubro a março, o nível dos rios baixa e permite a exploração da reserva a pé. Acompanhados por guias locais, os viajantes caminham pelas trilhas da mata para entender a dinâmica do ecossistema e os usos tradicionais das plantas amazônicas. 

Durante a caminhada, a regra é o silêncio para tentar observar a fauna presente nas copas das árvores e no solo, como macacos-de-cheiro, guaribas, o uacari-branco e diversas espécies de aves.

Foto: Pousada Uakari

Navegação pelos igapós

De abril a setembro, as águas sobem e alagam completamente as trilhas terrestres. Nessa época, a exploração passa a ser feita de forma silenciosa em canoas a remo e pequenos barcos, navegando por entre os troncos e as copas das árvores. 

Como o espelho d'água aproxima o barco dos galhos mais altos, a perspectiva de observação muda, facilitando o avistamento de preguiças e aves. É também nessa época, especialmente em maio, que aumentam as chances de avistar onças-pintadas.

Foto: Pousada Uakari

Observação de botos e pescaria tradicional

A vivência nos rios Solimões e Japurá inclui saídas de barco focadas na fauna aquática. Uma das rotinas é a observação dos botos-cor-de-rosa e tucuxis nadando e caçando livremente pelos rios e lagos do entorno. 

Em outro passeio, os guias locais ensinam a prática da pescaria de piranhas, explicando como funciona a técnica ribeirinha tradicional e qual é o papel desses peixes na cadeia alimentar das águas amazônicas.

Foto: Pousada Uakari

Focagem noturna de fauna

Como grande parte da vida silvestre amazônica é mais ativa durante a noite, a programação inclui saídas noturnas após o jantar. Em pequenas embarcações e com o auxílio de lanternas, os guias percorrem os rios e áreas alagadas em busca dos sinais da floresta.

O objetivo é localizar animais pelos reflexos dos olhos, sons e movimentos na vegetação, observando jacarés, sapos, aves noturnas e insetos, e entendendo como a floresta se comporta no escuro.

Foto: Otávio Lino

Vivência comunitária e científica

A programação tem um forte pilar educacional e também prevê visitas às comunidades ribeirinhas da região. Lá, os visitantes caminham pelas vilas de palafitas para entender a realidade local, o modo de vida ribeirinho e a relação dessas famílias com a proteção da reserva. 

O aprendizado continua na pousada, com apresentações e rodas de conversa conduzidas por guias naturalistas ou pesquisadores do Instituto Mamirauá sobre a história da unidade de conservação e as pesquisas em andamento.

Foto: Pousada Uakari

Como é a estrutura da Pousada Uakari?

A estrutura da Pousada Uakari foi idealizada para acompanhar o ciclo natural da Amazônia: ela é inteiramente flutuante, subindo e descendo junto com o nível das águas da reserva. 

O complexo é dividido em um flutuante central, onde ficam as áreas comuns de convivência, como restaurante, bar, biblioteca, sala de vídeo e um deck de descanso, interligado a cinco bangalôs flutuantes independentes.

Os quartos, distribuídos em duas suítes por bangalô, são rústicos, amplos e confortáveis. Eles contam com banheiros privativos, camas aconchegantes com mosquiteiros, ventilação natural otimizada pela própria arquitetura de madeira e uma varanda exclusiva com vista para o rio e para a floresta alagada.

Foto: Pousada Uakari

Seca ou cheia: qual a melhor época para visitar?

Não existe melhor ou pior época para se hospedar na Pousada Uakari, apenas duas Amazônias completamente diferentes:

  • Seca (outubro a março): com o nível dos rios baixo, a terra firme aparece. É a estação ideal para quem prefere desbravar as trilhas a pé, caminhando pelo interior da selva.
  • Cheia (abril a setembro): a floresta alaga e as trilhas desaparecem. Todos os passeios passam a ser em canoas por entre as copas das árvores, o que facilita muito avistar macacos, preguiças e onças-pintadas descansando nos galhos.

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