Quando se fala em Dia dos Mortos, o México costuma ser o primeiro destino lembrado. Mas a Guatemala preserva uma das celebrações mais autênticas da data, marcada pela forte influência da cultura maia e festivais que mobilizam comunidades inteiras. Viajar nessa época é uma oportunidade de conhecer o país por uma perspectiva diferente da habitual.
A seguir, o Blog Vida ao Ar Livre explica o que fazer no Dia dos Mortos na Guatemala.
Por que visitar a Guatemala no Dia dos Mortos?
A principal razão é a autenticidade. Na Guatemala, o Dia dos Mortos, celebrado em 1º de novembro, foge das grandes produções turísticas ou desfiles roteirizados; é um rito genuinamente comunitário, em que as famílias se reúnem com o propósito de honrar sua ancestralidade.
Nessa época, a relação com o luto também ganha outro significado. Os cemitérios perdem o clima melancólico: os túmulos são repintados com cores vibrantes e se transformam em pontos de encontro repletos de música, incenso de copal e comida farta.
É a materialização do sincretismo local, unindo a data católica à antiga crença indígena de que as almas retornam para celebrar com os vivos. Para quem visita o país nessa época, é uma das experiências culturais mais marcantes da América Central.
O que fazer na Guatemala no Dia dos Mortos?
Durante o Dia dos Mortos, o país inteiro entra em celebração, mas algumas experiências são imperdíveis para quem visita a Guatemala nessa época:
Ver o Festival de Pipas em Sumpango
O que realmente diferencia o Dia dos Mortos da Guatemala de qualquer outro no mundo é a tradição dos barriletes, especialmente no povoado de Sumpango.
Para a crença local, o céu é a ponte de comunicação com os mortos. Por isso, a comunidade passa meses construindo pipas perfeitamente redondas, que podem atingir até 20 metros de diâmetro. Feitas de bambu, papel de seda e arame, elas formam mosaicos multicoloridos com mensagens de respeito aos ancestrais.
Durante o festival, você pode caminhar em meio à multidão observando as equipes tentando erguer essas estruturas monumentais contra o vento. É uma festa caótica, linda e com uma energia incomparável.
Acompanhar os rituais em Chichicastenango
Em cidades de forte tradição indígena, como Chichicastenango, a celebração acontece de forma mais intimista.
Nas ruas ao redor da Igreja de São Tomás e no famoso mercado local, é possível observar famílias preparando altares e oferendas aos antepassados. Diferente dos altares mexicanos focados em caveiras, na Guatemala as oferendas são focadas na fartura agrícola: milho, flores amarelas (flor de muerto ou cempasúchil), velas artesanais e incenso de copal, que deixa o ar perfumado e denso.
É um excelente momento para interagir com a população local, desde que se peça permissão antes de fotografar os ritos privados.
Provar o "fiambre" (a culinária da memória)
Outro motivo para visitar a Guatemala nessa época é experimentar a gastronomia que só aparece no dia 1º de novembro. O grande destaque é o fiambre, um prato frio monumental que pode levar mais de 50 ingredientes, incluindo diversos tipos de carnes, embutidos, queijos, vegetais em conserva e ovos.
Segundo as lendas locais, o prato se originou da tradição de levar comida para os cemitérios: as famílias levavam os pratos favoritos dos falecidos e, ao compartilhar a comida entre os túmulos vizinhos, tudo acabava se misturando.
Hoje, o fiambre é uma iguaria complexa, feita em família dias antes da festa, e que você precisa provar para ter a experiência completa.
O que mais fazer na Guatemala em novembro?
Embora o Dia dos Mortos seja o ponto alto da viagem, vale aproveitar a oportunidade para conhecer outros destinos importantes da Guatemala. Em poucos dias, é possível combinar diferentes regiões do país sem grandes deslocamentos.
O roteiro clássico costuma incluir o Lago Atitlán, cercado por vulcões e pequenas comunidades indígenas; Antigua, antiga capital colonial com ruas de pedra e igrejas históricas; e Tikal, um dos maiores e mais importantes sítios arqueológicos da civilização maia, localizado em meio à floresta tropical da região de Petén.
Qual o clima da Guatemala em novembro?
Novembro é considerado um dos melhores meses para viajar pela Guatemala. O período coincide com o fim da estação chuvosa e o início da estação seca, quando as paisagens ainda estão verdes e exuberantes.
Na hora de fazer a mala, vale considerar as diferenças de altitude entre as regiões. Em cidades como Antigua, Chichicastenango e no entorno do Lago Atitlán, localizadas no altiplano, as temperaturas durante o dia costumam ficar entre 22°C e 24°C, mas as noites e madrugadas são frias, tornando um casaco indispensável.
Já na região de Tikal, o clima é bem diferente. Como a área está em uma região de floresta tropical, as temperaturas permanecem altas durante todo o ano, com bastante calor e umidade, mesmo em novembro.
Para quem é essa viagem?
Essa é uma viagem indicada para quem tem alma de explorador e gosta de imersão cultural real. Durante o Dia dos Mortos, as vilas ficam cheias, coloridas e caóticas.
Como o deslocamento pelo país é feito em rodovias cortando montanhas e vales (em formato de circuito terrestre com um grupo de outros viajantes), é preciso ter paciência para as horas de estrada.
Se você não se importa em abrir mão da previsibilidade em troca da chance de presenciar uma das maiores festas antropológicas da América Central ao lado de guias locais, a Guatemala vai te fascinar.
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