Disciplina, organização e vontade. O sucesso de uma grande expedição.

Somos seres urbanos, é inegável. Temos rotinas, facilidades e desafios tipicamente urbanos. Mas o mundo lá fora nos chama, e muitas vezes colocamos à nossa frente o desejo insaciável de conquistar algum grande desafio na natureza.

Seja subir uma grande montanha, como o Kilimanjaro, na África, ou atravessar o Vale do Pati, na Chapada Diamantina. Completar uma maratona ou fazer uma peregrinação, como o Caminho das Missões, no Sul do Brasil. Enfrentar situações climáticas extremas, como os ventos de Torres del Paine, na Patagônia. Cada pessoa tem seu próprio objetivo de superação pessoal. Mas que, na maioria das vezes, nunca é concluído. Na vida.

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Peregrinos no Caminho das Missões, no Rio Grande do Sul

 

Então, fomos buscar o que leva o ser humano a superar grandes desafios, para tentar trazer algumas pistas de como enfrentar nossos objetivos pessoais. Uma pequena análise de grandes expedições da história nos dá algumas pistas. Ingredientes que levam pessoas comuns, como eu e você, a enfrentarem situações extremas e entrarem para a história.

A conquista do Pólo Sul, por Amundsen

Uma das histórias mais incríveis do ser humano é a conquista do Pólo Sul, na Antártica. Foi uma verdadeira corrida entre duas equipes experientes. Duas expedições que estavam em busca da última fronteira da Terra.

Scott, inglês e militar, falhou nos equipamentos de transporte na neve, na provisão de alimentos, e levou toda sua equipe a situações de desgaste insuportáveis. Amundsen, navegador e considerado aventureiro na época, passou meses aprimorando esquis, fogareiros, barracas. Adaptou cada detalhe, otimizou a logística, colocou um gramofone e uma biblioteca no acampamento para diminuir o tédio dos meses de inverno.

E fincaram a bandeira da Noruega na Latitude 90o três semanas antes de Scott.

Da direita para a esquerda: Roald Amundsen, Helmer Hanssen, Sverre Hassel e Oscar Wisting em "Polheim", a tenda instalada no Polo Sul em 16 de Dezembro de 1911. A bandeira é a da Noruega. Fotografia de Olav Bjaaland.

Da direita para a esquerda: Roald Amundsen, Helmer Hanssen, Sverre Hassel e Oscar Wisting em “Polheim”, a tenda instalada no Polo Sul em 16 de Dezembro de 1911. A bandeira é a da Noruega. Fotografia de Olav Bjaaland.

Se queremos participar de uma expedição é muito importante estarmos com uma organização perfeita.

Trazendo para nossa realidade, isso significa dizer que para fazer uma expedição precisamos estar com guias experientes, equipamentos corretos, como bota, mochila e vestuário adequados, ter uma logística de barracas e alimentos que não nos sobrecarregue demais.

Um roteiro como a Travessia da Serra Fina, na Mantiqueira, é um bom exemplo de dificuldades de logística. É uma travessia que pode parecer até simples, por ser curta. Mas falta fontes de água na montanha, as noites são congelantes e o caminho muitas vezes se perde no meio do capim amarelo.

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Subida para a chegada no Capim Amarelo, parte alta da Travessia da Serra Fina

Por isso é importante se preparar para uma expedição com muita antecedência.

Amundsen diz em seu livro “O Polo Sul”: “A vitória espera aquele que tem tudo organizado – as pessoas chamam isso de sorte. A derrota é certa para os que não tiveram o cuidado de tomar as precauções necessárias a tempo; a isso chamam má sorte”

Este é o primeiro segredo para o sucesso em uma grande expedição. Tudo estar perfeitamente organizado. O clima se mantém sempre positivo, mesmo diante de um desgaste muito grande. Porque o desgaste é esperado, desde que tudo mais esteja sob controle.

A conquista do Everest, por Hilary e Norgay

No fim de maio de 1953 o neozelandês Edmund Hillary  e o cherpa Tenzing Norgay,  sozinhos depois que todos os demais membros da expedição desistiram por exaustão, atingiram pela primeira vez os 8.848 metros do ponto culminante da Terra.

Hillary e Norgay, os primeiros homens a pisar no topo do Everest. By Jamling Tenzing Norgay - http://www.tenzing-norgay-trekking.de, CC BY-SA 3.0,

Hillary e Norgay, os primeiros homens a pisar no topo do Everest.
By Jamling Tenzing Norgay – http://www.tenzing-norgay-trekking.de, CC BY-SA 3.0,

Em uma altitude desconhecida para o organismo, eles precisaram subir e descer várias vezes entre um acampamento e outro. Hillary e Norgay fizera sete vezes subidas de aclimatação até estarem preparados para o ataque ao cume. Além disso, já haviam escalado centenas de outras montanhas. Um ano antes já tinham tentado, inclusive, subir o Everest, voltando para trás por perceberem que não teriam forças. Para só então, finalmente, conquistarem a façanha.

Atualmente é muito mais fácil conquistar o cume de uma grande montanha. O Elbrus, por exemplo, é a maior montanha da Europa, com 5.642m de altitude. Uma pessoa que não tem conhecimentos técnicos de escalada consegue atingir o topo desta montanha. Dormimos em abrigos quentes e relativamente confortáveis. As roupas e equipamentos são acessíveis. E temos apoio de motos de neve para o dia do ataque ao cume.

6 Subindo ao Monte Cheget

Teleférico de apoio para subidas de aclimatação para subida do Monte Elbrus

Mesmo assim, antes de chegar ao topo do velho continente passamos alguns dias subindo e descendo as montanhas do Cáucaso. Uma aclimatação cansativa porém extremamente necessária. E, mais do que tudo, para que uma pessoa comum consiga subir uma montanha como essa, ela precisa ter se preparado por meses para estar pronta na Hora H. Fazer trekkings menores, boas condições cardiovasculares, estar preparado para enfrentar o cansaço.

Subida do Monte Elbrus, na Rússia

Subida do Monte Elbrus, na Rússia

 

A disciplina é esta capacidade de persistência, que nos leva a conhecer nossos próprios limites e aprender a reconhecer os sinais da natureza. Tentar, repetir, treinar, tentar de novo. Ter disciplina é uma grande característica do sucesso de grandes expedições.

A primeira travessia a remo do Atlântico Sul, por Amyr Klink

Antes de Amyr Klink ter atravessado o Atlântico Sul sozinho outras pessoas tentaram, e nenhuma conseguiu. Depois dele também não.

Mais do que um barco milimetricamente planejado para aguentar as tempestades. Mais do que um planejamento nutricional, um conhecimento profundo de navegação e uma preparação física perfeita, a grande conquista do brasileiro foi passar 100 dias sozinho em alto mar.

Travessia a remo do Atlântico Sul (1984). Foto de divulgação do acervo do Amyr Klink (www.flickr.com/amyrklink)

Travessia a remo do Atlântico Sul (1984).
Foto de divulgação do acervo do Amyr Klink (www.flickr.com/amyrklink)

A força de vontade desta conquista é memorável. Sozinho, em um barco com menos de 6m de comprimento, Amyr Klink calculava sua rota, enfrentava tempestades, limpava o casco, conversava com os peixes, e remava, com o objetivo único de chegar do outro lado do oceano.

Quando decidimos encarar um desafio muitas vezes não estamos preparados para ele. Se estivéssemos, chamaríamos de passeio, não de expedição! Mas é nossa força de superação pessoal que irá determinar até onde conseguimos chegar.

De frente para o Monte Roraima

De frente para o Monte Roraima

A conquista do Pólo Sul, do Everest,  e a primeira (e única) travessia a remo entre a África e a América do Sul são exemplos de como a disciplina, organização e muita força de vontade são indispensáveis para o sucesso em uma grande expedição.

E, de tudo isso, o mais importante é buscar dentro de si a motivação para superar um desafio. Para isso não precisamos querer entrar para a história do mundo. Apenas escrever a nossa própria história.

 

E se você também tem sonhos de realizar uma Grande Expedição, entre em contato com a Pisa Trekking. Sua aventura levada a sério!

 

4 Comentários em: “Disciplina, organização e vontade. O sucesso de uma grande expedição.

  1. Estive no Jalapão e fui picada pelo “bichinho da aventura está lá fora”. Sintomas: nova maneira de olhar e sentir, desejo de experimentar, do estar lá … Eu era a mais velha do grupo e curti feito uma criança! Esta minha nova trilha não terá mais fim!

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