Fotografia: cabeça, olho e coração em linha

Para nós, amantes da natureza, é impossível pensar em viajar para um novo lugar sem trazer de volta uma coleção de fotos, repletas de boas recordações e histórias impressionantes.

A fotografia é uma das grandes invenções do ser humano. Um aparelho capaz de congelar o tempo, em linhas e cores, deixando vivo algo que passou. Uma invenção que se tornou parte de nossas vidas. De como vemos a vida.

 

O surgimento da fotografia

A Academia Francesa de Ciências anunciou, em 19 de agosto de 1839,  a invenção de um aparelho capaz de registrar a luz.

Antes, a única forma de conhecermos um lugar além de nossos olhos era lendo relatos, ou observando uma pintura. Os Naturalistas que o digam. Pintavam cada espécie nova que encontravam na Amazônia. Descreviam em textos difíceis as características de grupos étnicos recém descobertos na América do Norte, África e Oceania.

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A fotografia vem para quebrar essa barreira. Ela coloca à nossa frente um relato preciso, instantâneo e real. Registra, de forma apaixonante, um momento único que atravessou a lente e ficou gravado para sempre.

 

As revoluções da  fotografia

Hoje, amantes da vida ao ar livre se entusiasmam a cada nova tecnologia. Câmeras menores, a prova d´água, onlines, drones. Captar grandes cenários da natureza é uma realidade para todos.

Isso porque a fotografia se transformou inúmeras vezes nestes 177 anos.

Recife, 1851. Fredricks. Foto em técnica de daguerreótipo.

As primeiras imagens precisavam de pelo menos 10 minutos de exposição à luz para imprimir seus contornos em uma placa de cobre.  As fotografias coloridas só viraram uma realidade acessível em meados do século XX, quando grandes fotógrafos já imortalizavam esta arte com equipamentos portáteis.

Passamos a acompanhar eventos esportivos e fatos históricos.  E hoje estão na palma de nossas mãos. Registram nosso cotidiano, e o cotidiano daqueles lugares isolados que viajamos para conhecer. Marcam cada pequeno detalhe da nossa vida. É impossível, hoje, imaginar um mundo sem a fotografia.

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Cartier Bresson, um mito, dizia que cada cena que passa em frente aos nossos olhos tem um “instante decisivo”, um clímax, e é este o momento certo de apertar o disparador e capturar o ápice de uma ação.

A fotografia de Natureza

Temos a nossa disposição uma quantidade enorme de aparelhos que nos permitem fazer imagens em praticamente todo ambiente natural.

Com uma quantidade tão grande de possibilidades, é importante termos em mente algumas escolhas no equipamento que precisamos ter para cada ocasião.

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Fotografia de Paisagens

Paraísos naturais são mais fáceis de serem fotografadas, pois são estáticos e com cenários amplos. Vales (como o Vale do Ribeira, na foto acima), e montanhas, como na Serra da Mantiqueira, são o tipo de cenários grandiosos sempre se colocam a nossa frente quando viajamos. Para registrá-los, uma lente grande angular, daquelas que tem um campo de visão bem grande, ajudam a registrar estes momentos.

Quando a paisagem é muito isolada, no frio da Patagônia ou no calor do Monte Roraima, cartões de memória e baterias são o fator limitante. É importante se planejar em grandes expedições, para não ficar na mão no último dia. Imagine chegar no Campo Base do Everest e não poder fazer uma foto.

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Vida Silvestre

Para fotos de Vida Silvestre já será preciso um equipamento mais específico. Fotografar animais, no Pantanal ou em um safári na Tanzânia, por exemplo, exige paciência do fotógrafo e velocidade do equipamento.

As lentes passam a ser o fator limitante. Precisam ser mais claras (maior abertura de diafragma), e com uma distância focal maior, para não precisar se aproximar tanto do animal. Um tripé pode ser essencial também, já que é preciso ter estabilidade no momento certo de disparar o obturador.

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Macro Fotografia

A vida animal pode se revelar também nos pequenos detalhes, e para isso será preciso uma outra lente, bem específica. São as lentes macro, capazes de revelar detalhes incríveis da vida. Isso vale também para fotografias de flora. Afinal de contas, quando estamos fazendo uma trilha sempre nos deparamos com uma daquelas flores pequenas, com a aranha fazendo a polinização de uma flor, na foto abaixo. Um momento de rara beleza, capturado em Aparados da Serra.

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Etnofotografia

Por fim, outra forma de fotografar a natureza está na etnofotografia. O nosso desejo insaciável de registrar costumes, festas e tradições de culturas diferentes das nossas. Seja nos Kalungas da Chapada dos Veadeiros, nos Mumbucas do Jalapão, ou em uma tribo africana na Tanzânia, o mais importante neste momento não está no equipamento que estamos usando. Mas sim na forma como nos colocamos diante da situação, o respeito diante da pessoa fotografada, a troca mútua de olhares e, enfim, a permissão (muitas vezes silenciosa) para fotografar.

Cartier-Bresson, grande mestre da fotografia, dizia: “Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.”

E isso não há revolução tecnológica que mude.

 

 

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Boulevard du Temple, París, Daguerrotipo. Esta é a que se acredita ser a primeira fotografia de uma pessoa viva. Com mais de 10 minutos de exposição, não aparece o movimentos da rua. Com exceção de um engraxate e seu cliente (na esquina), que ficaram parados tempo suficiente para serem imortalizados.

 

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