Pisa Trekking: 30 anos de muitas histórias na bagagem

 

Pensar que em 1987, quando a Pisa foi criada, ecoturismo era uma palavra que ninguém usava.

 

A Pisa Trekking nasceu há 30 anos atrás, de um sonho. Maurício Lino, um jovem professor de geografia, vivia suas próprias aventuras e decidiu compartilhar com mais pessoas a descoberta de um “mundo novo”. As sensações e emoções da vida ao ar livre, na natureza. Nesta época, inspirado pelas aventuras com seus amigos no clube P.I.S.A. (Programa de Índio Sociedade Alternativa), e com as viagens que fazia com seus alunos, surgiu a Pisa Trekking.

 

 

Agnaldo Gomes, hoje um experiente guia de expedições, foi o primeiro funcionário da Pisa. “Meu primeiro contato com o ecoturismo foi nas aulas de Geografia, devia ter uns 16 anos e havia um professor apaixonado pelo tema, lembro muito bem dele falando com tanta empolgação sobre uma viagem ao P.N. de Itatiaia que pensei, tenho que conhecer este lugar!”, diz Agnaldo. Este era o Maurício, há 3 décadas atrás, que sequer conhecia Machu Picchu (1989) e o Nepal (1992), viagens que mudaram sua vida e o fizeram tomar a decisão de abrir a empresa profissionalmente, como conta sua irmã Miriam.

 

Esse clube foi a origem de tudo, e mais que uma inspiração era um estilo de vida. A cada viagem realizada, uma sátira, uma “roubada”. Tantas situações difíceis, em uma época em que não existia esse tipo de turismo, que eles próprios denominavam-se “tigrões” no jornalzinho do clube P.I.S.A. Daí a origem da pata, que acompanha nosso logo até hoje.

 

OS PRIMEIROS PASSOS DO TIGRÃO

De um clube de amigos para uma empresa foi um passo. “Começamos a Pisa na minha casa, na época era difícil ter telefone em casa e sei lá porque meus pais tinham um a mais. Eu ficava ligando para os amigos da escola convidando para as viagens rodoviárias. Depois de um tempo o Maurício alugou uma casa no bairro da Moóca, e nossa estrutura cresceu.  Agora eram eu, o Maurício, um telefone e uma mesa! Eu ficava na agência e o Maurício seguia dando as aulas de geografia, pegávamos as bicicletas na hora do almoço e íamos comer na minha casa. Nunca vi um cara comer tanto feijão! Foi nessa época que fizemos nosso primeiro folheto de viagem, datilografado e depois devidamente xerocado ! Era uma viagem ao Petar”, lembra Agnaldo.

 

Até 1996, as viagens eram lançadas em um catálogo de papel. Os ônibus saíam lotados em direção ao Parque Nacional do Itatiaia, à Chapada dos Guimarães e Bonito! E também para Porto Seguro, na Bahia, onde a Pisa levava, todos os anos, muitos alunos para viagens de formatura.

Foi a origem das viagens para Porto Seguro, que antes era um lugar isolado, e hoje se transformou em um dos destinos mais bem consolidados no Brasil. Anos depois, a Pisa deixou de oferecer viagens de formatura para Porto Seguro, e então dois amigos do Maurício que também trabalhavam na Pisa, abriram a maior empresa deste segmento no Brasil, a Forma Turismo.

 

O COMEÇO DE UMA NOVA ERA

 

De lá pra cá, muita coisa mudou.

Em 1996 a Pisa mudou para sua sede atual, no charmoso bairro de Moema, em São Paulo, e sua estrutura cresce a cada ano que passa. Nessa evolução, novas pessoas passaram pela empresa, em ciclos sempre muito frutíferos. Uma delas é Cláudia Ribeiro, que em 1996 fez sua primeira viagem de aventura, convidada por uma amiga, que no fim, detestou andar debaixo de chuva. “Isso mudou minha vida completamente. Na minha terceira viagem conheci o Maurício, e de lá pra cá nunca mais parei de viajar na natureza”, diz ela.

A Claudia é advogada, mas em pouco tempo se envolveu tanto com o turismo que começou a trabalhar durante meio período na Pisa, e logo já era a responsável operacional por nossas viagens para a Patagônia, um dos nossos destinos mais tradicionais.

 

 

“No fim dos anos 90, tínhamos um computador que ainda rodava em DOS, uma impressora matricial e um fax, que era como enviávamos os vouchers de viagens para nossos clientes. Os roteiros ainda eram catalogados em uma pasta, mas alguns anos depois lançamos um site com todos os roteiros cadastrados, o que foi um avanço na época.” Hoje, Claudia Ribeiro, é responsável por diversos destinos no Chile e Argentina, além de Antártica, Noruega e outros.

A partir dessa época, passamos a desenvolver viagens de aventura e ecoturismo no mundo inteiro e entramos em uma nova fase de divulgação, inserida dentro da era digital. Afinal, quem não se comunica se trumbica, como sempre dizia Maurício Lino e claro, o Chacrinha.

 

SONHOS MODERNIZADOS

Em meados dos anos 2000, a Pisa Trekking já era reconhecida por ser uma empresa de turismo de aventura respeitada, levando pessoas para os lugares mais remotos do planeta como a Antártica, ou para o topo de algumas das maiores montanhas do mundo.

 

Foi quando surgiu a necessidade de estar totalmente inserida no mundo digital. Luis Morales, que hoje é gerente geral da Pisa, foi contratado em 2006 para criar um site que melhorasse nossa divulgação e atendimento. “Criamos um site onde nossos departamentos operacionais pudessem, eles mesmos, cadastrar e administrar todos os pacotes que oferecíamos. Antes disso, tínhamos que pedir para o desenvolvedor. Eu entrei no fim de fevereiro, e ainda tinha roteiro de Réveillon no site!”, brinca.

Com seu jeito único de lidar com as pessoas, Maurício chamou Luis para trabalhar internamente na Pisa, e ele saiu do mercado de T.I. para ser estagiário de marketing na empresa. “Eu ganhava 700 reais por mês… mas gostava”, conta o Luis. De estagiário para gerente de marketing, e daí para gerente geral da empresa. “O Maurício me convidou pra ser gerente geral e eu aceitei. Sempre tivemos uma relação muito próxima, de franqueza e amizade. Ele muito coração, eu sempre muito racional, e assim um completava o outro nas decisões da empresa”.

 

O Luis e o Maurício fazendo juntos o Tour du Mont Blanc, uma dos trekkings mais bonitos e famosos do mundo, e atualmente também parte do catálogo de aventuras da Pisa.

 

Com Luis no time, a Pisa se desenvolveu ainda mais. Em 2013 implementamos um sistema de gerenciamento completo, capaz de organizar passo a passo cada detalhes de cada uma das milhares de viagens que acontecem ano a ano pelas mãos de todos os quase 30 funcionários da Pisa. Foi nesta época que a Pisa começou a expandir também os destinos nacionais que oferecia. “Os primeiros foram a Chapada Diamantina e o Jalapão“, lembra o Luis.

A Gabi Monteiro, que hoje é consultora especial de marketing e produtos da Pisa, em sua viagem de reconhecimento no Jalapão.

 

E olha que hoje em dia a Pisa opera centenas de roteiros, em todo o Brasil, na América Latina, Europa, África, Ásia, Oceania. “Só na Europa temos hoje roteiros de ecoturismo e de aventura na Islândia, na Escócia, Irlanda, sem contar roteiros exóticos em outras partes do mundo, como a Jordânia” Conta Patrícia, gerente de operações da Pisa sobre os destinos que trouxe para o catálogo da Pisa de 2011 para cá.

Toda essa evolução é uma conquista advinda de muita experiência, e o entendimento de que o que oferecemos não é uma viagem qualquer, e sim um sonho, que as pessoas realizam quando embarcam. Uma verdade compartilhada entre todos que trabalham conosco.

A Patrícia em viagem de reconhecimento na Islândia, um dos destinos de maior sucesso dos últimos anos na Pisa Trekking

UMA FAMÍLIA CHAMADA PISA TREKKING

 

A Pisa mudou, cresceu, se adaptou, evoluiu. Muita coisa mudou, mas não tudo. A essência continua a mesma de quando foi fundada, que é atender cada cliente com muita atenção e carinho.

 

Paula Oliveira, Gerente Administrativo Financeira da empresa, conheceu a Pisa em 1999 ao ver um anúncio na saudosa revista Terra, querendo realizar o sonho de conhecer Machu Picchu. “Viemos eu e um amigo em um sábado, e acabamos não fechando a viagem para Machu Picchu, mas o Maurício estava na agência e falou sobre a viagem para Bonito. Ele colocou uma fita VHS em uma televisão com fotos de Bonito, e eu já vim no outro sábado para fechar!”, lembra Paula.

Maurício e Paula em uma viagem na Ilha Anchieta

Em alguns meses, Paula não realizou o sonho de Machu Picchu, mas já tinha feito várias viagens com a Pisa. Pouco a pouco virou monitora das viagens, deixou o trabalho que tinha em um banco, e veio trabalhar na Pisa, suprindo a necessidade de uma administradora de empresas. “Depois que eu comecei a viajar, não parei mais. Nunca mais apareci em casa aos finais de semana!” conta ela rindo da lembrança. Ela e Maurício namoraram, se casaram, e o sonho de Machu Picchu se realizou inúmeras vezes juntos, e mais do que isso, levaram os filhos para conhecer as belezas deste mundo.

O Maurício com os dois filhos mais velhos no Perito Moreno, Patagônia argentina.

 

“Estruturalmente a Pisa era muito parecida com hoje. Ainda tinham os catálogos impressos, mas tinha alguém responsável pelo Marketing. Já tinham os vendedores, os departamentos operacionais, e também o financeiro. Tinha menos funcionários, mas estruturalmente era o mesmo”. O mercado todo evoluiu, mas para a Paula o grande diferencial da Pisa sempre foi a forma como o Maurício conduzia a empresa. “Ele sempre foi muito gentil com as pessoas, procurava conversar e entender, especialmente quando dava algum problema. Então eu percebia o quanto ele se dedicava à isso, e acho que esse é o grande diferencial da empresa.”

A Pisa vem em uma contínua melhoria desde sua fundação, com o amadurecimento e o conhecimento do mercado. As pessoas que passaram pela Pisa amadureceram também e isso mostra que, mesmo com a perda prematura do Maurício neste ano, a alma da empresa continuará a mesma. Dentro da Pisa existe um clima de muita amizade. Uma empresa com alma familiar.

 

 

PISA TREKKING EM MULTIPLICAÇÃO

 

Além de viagens, estamos falando de muitas histórias na bagagem. Cada pessoa que retorna, traz consigo uma mochila extra só pra carregar as histórias que viveu.

E desta forma a Pisa transformou o mercado de ecoturismo e principalmente do turismo de aventura no Brasil. Isso fica nítido quando vemos que a maioria das agências e operadoras de ecoturismo nasceram com pessoas que já passaram pela Pisa, de alguma forma, e quando saíram, levaram consigo nosso amor pela vida ao ar livre.

 

Muitas pessoas que ajudaram a construir a nossa história, depois foram construir as suas próprias. Como Jean-Claude, um francês que veio para o Brasil nos anos 90, e de tão amigo do Maurício chegou a morar na sede da empresa. Ele depois criou a Alaya, em Brotas, hoje considerada um dos maiores sucessos no mercado de turismo de aventura (com todo mérito) e foi presidente da Abeta, Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura.  

 

Maurício, na esquerda, Jean-Claude, no centro, e na direita o Fernando, fundador da Curtlo

Só citando mais alguns que já moraram na Pisa, tem também Manoel Morgado, montanhista que em 2011 completou os Sete Cumes, escalando as maiores montanhas de cada continente, e hoje é talvez, o guia de alta montanha e expedição mais conceituado do país. E claro, não poderíamos deixar de citar o Noel, que está conosco desde o início e em 2017 foi escolhido como um dos 12 Outsiders do ano, prêmio da Revista Go Outside, como o guia mais antigo em atividade do Parque Nacional do Itatiaia. Hoje com 75 anos e em plena atividade, ainda guia pela Pisa!

 

De história em história, vemos o quanto a Pisa Trekking foi fundamental para a consolidação deste mercado no Brasil. E de como a história de Maurício Lino foi importante para transformação da forma que muitas pessoas veem o mundo e a si mesmo, ele mudou a vida de muita gente.

Já no fim de uma longa conversa, Paula chega a uma conclusão. “Sempre estivemos bem, porque sempre soubemos encontrar as pessoas que queriam fazer esse tipo de viagem. E acredito que continuaremos bem por muitos e muitos anos, porque vamos manter a essência de tudo aquilo que o Maurício nos deixou”, diz emocionada.

 

FUTURO

 

Agnaldo é hoje um dos principais guias de montanha do Brasil e lembra que o maior desafio como guia é manter as pessoas motivadas, fazer eles enxergarem o melhor delas, e que sim, é possível escalar aquela montanha, é possível fazer aquele trekking.

Nisso o Maurício sempre foi o melhor. Manter esta forma de ver a vida e o trabalho no turismo, que para ele era uma parte da vida, é a essência e o maior desafio da Pisa para o futuro.

 

 

Para a Paula, o segredo para manter uma empresa em alto nível, é sempre inovar: “inovar nos produtos e nunca se acomodar com a qualidade do atendimento, até porque hoje as pessoas podem buscar tudo na internet. Ter um diferencial de atendimento e valorizar o fornecedor local. Isso faz a viagem ser bacana”.

Para Luis, o maior desafio da Pisa para o futuro, além de enfrentar as dificuldades políticas e econômicas do nosso país, é conseguirmos alinhar cada vez mais com nossos fornecedores, a qualidade que nossos clientes esperam quando compram uma viagem. “O público de pessoas que descobrem essas viagens aumenta ano a ano. Ao mesmo tempo que o mercado evolui, o ecoturismo vem cada vez mais se aprimorando, e para a Pisa, a melhoria constante em tudo sempre foi o diferencial.”

 

Grupo da Pisa na Travessia da Ponta da Joatinga

 

Maurício Lino, o coração da empresa, nos deixou em abril de 2017. E nesta nova realidade, todos terão que aprender a seguir sem sua presença contante, e manter o norte que ele sempre dava à empresa, com sua filosofia de vida.

 

“Maurício sempre foi uma pessoa sonhadora, mas falávamos pouco sobre o futuro. Se for imaginar os próximos 10 anos, eu consigo enxergar a Pisa crescendo, com pessoas que estão trabalhando juntos em uma empresa que eu sei que é pequena, mas que não pode perder esse encanto. Eu não consigo enxergar a Pisa só como uma empresa comercial, que tem que rodar, girar, faturar. Eu vejo meu filho trabalhando aqui. Eu vejo só coisas boas para o futuro”, diz Paula.

 

Ele sempre soube dividir muito as decisões e aceitar as opiniões. Isso era a essência dele, dar valor às pessoas e às coisas boas da vida. Uma frase que ele usava era “não arriscar nada é arriscar tudo”. E o turismo de aventura é isso. Você enfrenta as intempéries da natureza e seus próprios limites, para descobrir coisas novas e se tornar uma pessoa melhor. E essa sempre será a essência da Pisa, que com muita alegria completa seus primeiros 30 anos.

 

A alegria de estar mais uma vez na cidade sagrada de Machu Picchu! E olha que foram mais de 60 trilhas incas!

Você que já viajou com a Pisa Trekking, obrigado por ajudar a construir esta história. Você que ainda não viajou, venha fazer parte da nossa família.

 

 

 

3 Comentários em: “Pisa Trekking: 30 anos de muitas histórias na bagagem

  1. Já viajei com a Pisa Trekking 2 x : uma para a Antártida e outra para subir o monte Roraima. Sempre fui muito bem atendido e sempre as viagens ocorreram na mais perfeita organização. Lamento muito a perda do Maurício ( não o conheci pessoalmente, mas já tinha ouvido falar dele ) e, com toda a certeza, continuarei cliente desta empresa. É nítida a evolução da empresa desde a primeira vez que ouvi falar dela e/ou fiz alguma pesquisa. Continuem assim!

  2. Bacana…tive o PRIVILÉGIO de fazer Machu Picchu com a Pisa e especialmente com o saudoso Maurício….que vcs tenham uma vida longa, com muito sucesso e alegria…com carinho cocada

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